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3 de julho de 2011
Hackers (1995)
Estava já há algum tempo para ver este filme, que por um motivo ou por outro sempre me escapou ao radar. A temática é algo que me interessa, principalmente nos dias que correm, e como tal estava relativamente curioso para ver qual é que era a percepção sobre os hackers há mais de uma década atrás, quando os computadores não tinham, nem de longe, o poder e influência que têm na sociedade como nos dias de hoje.
A história começa com um miúdo de 11 anos a ser condenado por ter crashado cerca de 1500 computadores e causado variações nas cotações da bolsa por causa disso. Como consequência, fica proibido de aceder ou possuir um computador até ter 18 anos. Fast forward sete anos e temos o mesmo miúdo, já mais adulto, mas nem por isso menos desinteressado em computadores e no seu 'lado negro'.
Não demora muito tempo até que alguns colegas da escola onde anda descubram as capacidades dele e o integrem no seu grupo de hackers de elite. No meio deste grupo, um aspirante a membro invade o sistema de uma companhia de óleo e tenta copiar uma das pastas do seu arquivo, para conseguir provar que também ele merece pertencer ao grupo de elite. Infelizmente para ele, o ataque foi detectado pelo responsável por informática que prontamente identificou de onde vinha o ataque. Acabou assim por ser preso no dia seguinte, não sem antes passar a disquete para onde ele copiou a informação a um dos outros hackers.
Entretanto, o tal chefe do departamento de informática planta um vírus no sistema para conseguir cobrir o esquema de extorsão de dinheiro que tem em curso e que não quer que seja descoberto, abrindo uma caça ao grupo de hackers que lhe invadiu o sistema e o pode denunciar com a disquete que copiou. Entre chantagens ao personagem principal (por já ter sido sentenciado uma vez) a perseguições no meio da rua, tudo vale. Claro que no fim, quem fica com a melhor são os miúdos e o bem ganha.
Agora, ainda que tenha achado graça ver a Lynette das Desperate Housewives, a Dr Melfi dos Sopranos, a Angeline Jolie e o Sick Boy do Trainspotting, confesso que a idealização do futuro da informática está longe de bem conseguido, mesmo para 1995. A forma como eles se vestem, aparentando vir de um futuro médio-pouco distante (muito alternativo, espacial, radical) e as animações dos computadores deitam a credibilidade do filme por terra e servem-me um pouco como turn off. Mas se calhar é só de mim, que, afinal de contas, vi o filme 16 anos depois de ter sido lançado.
13 de junho de 2011
The Island (2005)
Eu gosto daqueles concursos em que se tem que mandar uma resposta de escolha múltipla para ganhar um prémio. Quando este filme saiu ganhei uma t-shirt que ainda uso (para andar por casa, claro) esporadicamente. Curiosamente nunca me dei ao trabalho de ver o filme mas celebrando o facto de agora ser o orgulhoso proprietário de um ecrã de 40 polegadas, não há desculpa que me salve.
Não fazia ideia de que é que o filme tratava e estava com uma relativa curiosidade. Infelizmente não viveu à altura das expectativas e foi directo para a estante dos discos a não voltar a ver (figuradamente falando, claro, porque não o tenho em DVD). A história passa-se num futuro não muito distante numa colónia de clones feitos à medida de habitantes do mundo real que querem ter a possibilidade de substituir algum órgão que lhes pregue uma partida. Os clones são programados com a mentalidade de um miúdo de 15 anos e vivem na miragem de uma ida para 'a ilha', que é sorteada diariamente. O conceito da história até aqui é interessante e podia ter sido explorado de outra forma, esta é uma temática que sempre me interessou bastante principalmente por ser tão pouco natural (e imoral?) e no entanto tão cobiçada pelos senhores que nadam em dinheiro.
O problema começa quando o personagem principal começa a duvidar do sistema, da rotina e dos porquês das coisas e decide infiltrar-se por zonas claramente proíbidas. Depois de ver cenas menos felizes (que envolvem o assassinato de alguém a quem tinha sido prometido ir para a tal ilha) decide pegar na pseudo-namorada e fugir dali para fora. Depois de muito aparato conseguem sair do edíficio e encontrarem-se no meio do deserto, onde, obviamente, não havia ilha nenhuma. Durante o resto do filme eles passam o tempo a fugir de uma equipa de assassinos altamente profissionais que certamente os tinham limpo em menos de 5 minutos. Esse tipo contraste irrealista deixa-me sempre um pouco de pé atrás neste tipo de filmes. No fim tudo acaba bem, como seria de esperar. Eles voltam à base para libertar os outros clones todos e eventualmente são felizes para sempre, como acontece sempre.
No geral, a história está um bocado atabalhoada e creio que funcionaria muito melhor em livro, com mais calma. Não quero culpar o Michael Bay pelo trabalho fraco (embora o exagero de product placement seja... exagerado) mas acho que podia estar muito melhor. Eu pelo menos não o devo voltar a ver tão cedo.
5 de junho de 2011
Obituary - Frozen Alive (2007)
As bandas de death metal da Flórida são as melhores. Facto. Juntamente com os Morbid Angel, os Obituary são bem capazes de ser das minhas bandas preferidas a tocar este género de death metal, mais old school e não tão focado no tecnicismo. É apenas puro e duro, tendo ambas as qualidades na medida certa.
Este DVD tem um concerto que a banda deu na Polónia em 2006, filmado na íntegra. É interessante, mas está longe de ser tão interessante como os vídeos que há deles no Youtube a tocarem nos primórdios dos anos 90. Creio que o tempo não volta atrás por isso não faz grande sentido chorar sobre leite derramado. O concerto tem 23 músicas (bem escolhidas, dos variados álbuns) e vários ângulos de filmagem, suficiente para não aborrecer. Talvez seja um pouco longo demais ou talvez ver hora e meia de filmagem de um concerto sem stage dives ou grande movimento em palco não seja bem a minha cena, mas no geral vê-se bem. Não creio é que lhe vá passar os olhos em cima uma segunda vez.
Jurassic Park (1993)
Certamente um dos meus filmes preferidos de sempre. Vi-o na altura em que saiu, na sala principal do cinema Monumental (que era bem grande!), e desde então que o vejo regularmente. Aproveitando o facto de ter comprado uma televisão nova, achei que o primeiro filme que devia beneficiar do visionamento em 'ecrã gigante' era este. Há algo sobre a história que me faz sempre querer estar lá e viver a aventura. Os dinossauros, as tempestades tropicais, a paisagem paradisíaca a adrenalina, o perigo... tudo. Quanto mais os anos passam, mais gosto do filme, que infelizmente só peca por não ser tão bom como o livro.
Um multi-milionário ligeiramente obcecado com biologia decide juntar um grupo de cientistas numa ilha ao largo da Costa Rica e criar um parque de diversões. Simplesmente esse parque de diversões não é como os habituais, pois tem dinossauros ao invés de carrosséis, que ele conseguiu criar com a ajuda de sangue extraído de insectos fossilizados desde há milhões de anos. Para abrir o parque, John Hammond, o milionário, precisa da aprovação de vários peritos na área e decide voá-los para a ilha, sem lhes dizer ao que vão, para passar um fim-de-semana, verem o que acham e lhe passarem uma recomendação.
O espanto inicial é rapidamente substituído por medo, quando as coisas deixam de correr como planeado. Vários sistemas deixam de funcionar, muito graças à má-vontade e traição de um dos técnicos informáticos, e o caos espalha-se pela ilha durante a visita dos convidados de John. O resto do filme passa por eles tentarem a todo o custo reagruparem-se para poder fugir da ilha. As cenas com o T. rex em campo aberto e com os velociraptors na cozinha acabaram por se tornar em autênticos clássicos do cinema actual e confesso que até aos dias de hoje, continuo a achar que a cena em que a Ellie vai repor a energia no parque é das mais intensas de que tenho memória, perdendo apenas para uma cena no segundo filme da saga Alien e os últimos 15 minutos do Se7en. A rever, por muitos e muitos e muitos anos que virão.
PS: Engraçado ver uns então pouco conhecidos Samuel L. Jackson e Newman (do Seinfeld). Ah!
Some Like It Hot (1959)
Ah, a Marilyn Monroe. Que senhora. Neste filme, considerado por muitos como uma das melhores comédias que Hollywood já produziu, dois músicos presenciam um assassinato executado pela máfia de Chicago. Não tendo dinheiro nem trabalho, eles decidem vestir-se de mulher para concorrer a um casting para uma banda de mulheres, que iria ter um trabalho na Flórida. A história é muito simples, mas nem por isso desinteressante de seguir. As situações em que eles se metem acabam, obviamente, por ser caricatas e de certa forma actuais, mesmo tendo em conta que o filme é de 1959. Algo propício dada a temática do filme, digo eu.
A magia da história está muito no romance entre uma das 'miúdas', que se mascara de milionário e quase-vive uma vida dupla para conseguir a atenção de Marilyn Monroe, com o objectivo de eventualmente conquistar o seu coração. Isso não seria possível sem que se aproveitasse do romance da sua companheira (o outro músico) com um outro milionário, que vive na ilusão de que está efectivamente a conquistar uma mulher. No fim, tudo acaba bem e a última fala de todas é provavelmente das mais engraçadas (e inesperadas) que eu já vi num filme.
26 de maio de 2011
Hook (1991)
Aproveitando um preguiçoso domingo à tarde em casa, decidi acompanhar este filme na televisão. Hook é um daqueles filmes que eu o meu irmão tínhamos em VHS, gravado directamente da televisão numa altura em que não existia a facilidade que existe hoje em arranjar filmes e onde, à falta de melhor, se viam os mesmos filmes vezes se conta.
A história é muito simples mas, ao bom jeito da Disney, não precisa de muito mais para conquistar o coração de quem a vê. Robbin Williams faz o papel de um advogado que dá pouca atenção à família e que numa viagem de Natal a Londres acaba por ter os filhos misteriosamente raptados do quarto onde dormiam enquanto o resto da família estava numa gala. Na janela do quarto fica uma nota assinada por Hook, que quer única e exclusivamente que Peter Pan as vá buscar para se poder vingar de uma aventura passada que não correu muito bem para o seu lado. A história gira depois em torno do retorno psicológico de Robbin Williams à sua infância e à Terra do Nunca para confrontar Hook e trazer os filhos de volta para a realidade.
O filme tem bons cenários e situações caricatas, não desapontando e fazendo quase de certeza as delícias de muitos miúdos. Nos dias que correm não sei se 'viver sem adultos' ainda é um pensamento que passe pela cabeça dos miúdos mas se for, este filme continua a ser um bom alimento para a narrativa do sonho.
15 de maio de 2011
Basic Instinct (1992)
Possuidor daquele que é, muito provavelmente, o cruzar de pernas mais famoso da história do cinema, Basic Instinct leva-nos até San Francisco, onde um famoso rockstar é morto com um picador de gelo por uma amante durante uma tórrida cena de sexo. A história do crime parece simples até Nick Curran (Michael Douglas) descobrir que uma das principais suspeitas do crime é uma escritora que lançou um livro a descrever uma relação com um desfecho semelhante.
Catherine Tramell (Sharon Stone), a escritora, consegue sempre ser mais esperta que todos aqueles que a interrogam e é quando anuncia que está a escrever um novo livro, desta feita sobre um detective, que ganha a atenção de Nick. Segundo ela, nesta nova história o detective morre no fim. Nick, apercebendo-se que a história é sobre ele, predispõe-se a mudar o final, acabando por se envolver mais do que devia na vida dela. Claro que nada disto acontece sem um sem-número de coincidências, acontecimentos e relações inter-pessoais que levam à conclusão final sobre quem realmente cometeu o crime. É um filme interessante, com um desfecho inteligente e que entretém ao longo da sua duração. Sou o primeiro a confessar que tenho qualquer coisa por thrillers de fins dos anos 80 e inícios de 90, não sendo este excepção.
18 de setembro de 2010
Rope (1948)
Ainda que esteja longe de os ter visto todos, este é certamente o meu filme preferido do Hitchcock. As três principais razões são o tema do filme, o facto de a história se passar em tempo-real e a técnica utilizada para dar esse efeito de continuidade.
A história, baseada levianamente no conceito de homem e super-homem de Nietzsche, leva-nos até um apartamento onde vai decorrer uma festa de despedida organizada por dois amigos. Tudo corre bem até um dos convidados não aparecer de todo, causando um clima de tensão entre os convidados presentes e alguma suspeita por parte de um deles. No geral, o filme funciona mais ou menos como uma corrida contra o relógio até se descobrir qual é o seu desfecho, que apesar de não ser óbvio, é previsível desde o início. Os diálogos são na sua grande parte muito inteligentes e repletos de humor negro, principalmente dadas as circunstâncias em que a trama acontece. Como em todos os filmes de Hitchcock, é nos pequenos detalhes que está a diferença e Rope não é excepção.
Mesmo sendo relativamente curto e definitivamente sem grande acção, este é um filme que gosto de rever de tempos a tempos de brilhante, diferente e controverso que é.
28 de agosto de 2010
Panic Room (2002)
Aproveitando uma longa viagem de comboio entre Lisboa e Faro decidi rever este filme. Lembro-me de o ter visto na altura que saiu e ter gostado, felizmente a opinião após segundo visionamento mantém-se. A história é simples e nada por aí além, o que faz do filme algo de especial é o suspense do início ao fim com as suas algumas cenas de cortar a respiração (literalmente, embora a do gás seja esticar a corda um bocadinho demais).
Jodie Foster muda-se para uma casa nova em Nova Iorque, ainda que descontente com o facto da mesma ter uma 'sala de pânico' onde ela é suposto esconder-se caso a casa seja assaltada.
Claro que à boa maneira de Hollywood a casa é prontamente assaltada e ela e a filha acabam enfiadas na dita sala até ao fim enquanto se tentam ver livres dos assaltantes. É um filme sem muita acção mas que nos vai mantendo presos ao ecrã. Todo ele acaba por ser uma experiência psicológica que nos leva várias vezes a pensar no que faríamos se estivessemos na mesma situação, algo que eu gosto que aconteça enquanto vejo filmes. Não é uma pérola digna de recomendação nem o melhor filme do David Fincher mas é um filme que entretém sem aborrecer e cumpre bem o seu papel.
5 de junho de 2010
D.A.F.T. (1999)
Foi com alguma sorte que encontrei este DVD à venda, perdido numa estante da Fopp. Não perdi a tempo a comprá-lo e quase prontamente o vi. Sendo que foi em grande parte devido aos vídeos que comecei a gostar da banda, não é de estranhar que este DVD tivesse tudo o que eu procurava nele e fosse algo que procurava há já algum tempo.
Nele podemos encontrar os quatro vídeos do primeiro disco da banda e um outro que nunca tinha visto e que não creio que tenha recebido muito airplay. Para além dos vídeos na íntegra são também oferecidos comentários de realização e os making of, junto com alguns remixes das músicas. O segundo lado do DVD tem parte de um set filmado em Los Angeles que pode ser editado à medida que se vai vendo, mas que me aborreceu ligeiramente.
Não é o lançamento mais consistente do mundo, mas é um óptimo registo de quatro (cinco) vídeos que roçam o brilhante.
14 de maio de 2010
Police Academy (1984)
Os filmes da Academia de Polícia devem fazer parte do imaginário de todos aqueles que cresceram durante os anos 80, era o clássico filme de domingo à tarde. Decidi há pouco tempo rever o primeiro, dado que não me lembrava da história e tinha alguma curiosidade em ver se era tão engraçado como tinha em mente. A resposta, infelizmente, é que não era.
A história tem uma ponta de interesse por ser ligeiramente descabida, pondo à frente de um esquadrão da polícia pessoas sem formação para tal. O que faz dela interessante é o carácter das personagens que fazem parte do esquadrão, as suas 'especialidades' e a constante desavença com o Tenente responsável. Larvelle é o meu personagem preferido (desde miúdo) por conseguir reproduzir qualquer som com a boca, criando situações realmente engraçadas. Tirando isso e um par de ocasiões caricatas não há assim nada que mereça referência, é apenas mais uma comédia ligeira típica dos anos 80 que não aquece nem arrefece.
17 de abril de 2010
In Bruges (2008)
Bruges é uma cidade lindíssima localizada na Bélgica, com sua arquitectura típica e canais românticos. Desde a primeira vez que lá fui, diria que em 2001 ou 2002, que me tornei fã da mesma. Ainda assim, nunca tive grande interesse em ver este filme, até que a pressão de tanta gente a elogiá-lo me levou a fazê-lo.
Não vou considerar o tempo que perdi a vê-lo um autêntico desperdício, já que como disse acima, Bruges é lindíssima e admito que está extremamente bem capturada ao longo da história através de uma igualmente boa fotografia. Infelizmente, tirando isso houve muito pouco que se aproveitasse, o que é uma pena. A história é leviana por demais para o que ambiciona e acaba de forma desconexa. Tirando um par de apontamentos humorísticos e situações engraçadas, como o confronto com o casal 'americano' no restaurante, não houve nada que puxasse por mim e não me fizesse acreditar que estaria melhor a empregar o meu tempo com outra coisa.
É um filme que pode ter interesse não só para quem nunca viu e não sabe como é Bruges, mas também para quem gosta de filmes de acção que não são nem bons nem muito maus. Para os outros, nem tanto.
27 de março de 2010
Jerry Seinfeld: 'I'm Telling You For The Last Time' (1998)
Foi há já muitos anos que a 4 (agora mais conhecida por TVI) começou a transmitir uma série que por um motivo ou outro me despertou a atenção. Passava tarde e a más horas mas como eu era ainda um adolescente sem grandes preocupações, ficar a pé para 20 minutos de puro ouro não fazia a mínima diferença!
Falo pois de Seinfeld, a genial comédia que retrata a vida de 4 amigos em Nova Iorque. A série é supostamente sobre nada, e até certo ponto é correcto dizê-lo dessa forma descabida. Seinfeld foca-se no humor de situações diárias comuns e é largamente focada na interacção humana e nas rotinas que eventualmente acabam por fazer parte das vidas de todos nós, por ínfimas que sejam. Rapidamente se tornou numa das minhas séries preferidas e Jerry Seinfeld ganhou um lugar lá em cima, onde outros tem filósofos, como grande referência na minha vida e na minha forma de ver o mundo.
Já tinha o CD deste supostamente último stand-up dele há algum tempo e confesso que o sei quase de cor da quantidade de vezes que o ouvi. Não foi até há pouco tempo atrás que arranjei uma cópia do vídeo (que infelizmente só foi lançado na Zona 1 e como tal não funciona em DVDs europeus) e a minha opinião é que é de facto melhor que o CD. Tem quase as mesmas piadas, talvez meia dúzia a menos, mas o que perde em quantidade ganha em expressão porque não há como a expressão de Seinfeld para dar magia às situações que retrata. Do ínicio ao fim somos levados através de situações mundanas que tanto passam por comer com pauzinhos chineses como pelas televendas de madrugada na televisão.
O que eu acho mais incrível, tendo em conta a quantidade de brejeirice que está disseminada no humor dos dias que correm, é mesmo ele fazer o stand-up de fato e não dizer um único palavrão durante todo o set. Fazer rir é fácil, fazer rir com classe está reservado apenas a alguns. Único.
24 de março de 2010
Alice In Wonderland (2010)
Porquê, Tim? Porque é que sentiste necessidade de pegar numa história tão interessante e transformá-la numa coisa tão sem sal e longe do original que até mete dó? Não percebo.
Sendo um já longo fã, tanto do livro de Lewis Carrol como do filme da Disney (eventualmente o meu preferido a seguir a Fantasia, ainda que este não tenha história) não admira que tivesse largas expectativas com esta transposição da história para o mundo do 3D. O Miguel tinha-me avisado que não tivesse grandes ilusões mas, como optimista que sou, decidi esperar pelo fim do filme para me sentir (relativamente) defraudado. Confesso que depois de ter ficado vislumbrado com o trabalho de Nolan no Dark Knight pensei que também o Tim Burton fosse capaz de pegar em algo que já tinha sido feito e igualar ou superar a sua qualidade. Não aconteceu. Entre muitas coisas que não fazem sentido em relação à história original (demasiadas para listar) há as cenas de combate que, como disse o Miguel e bem, foram copiadas traço a traço do Harry Potter e do Lord Of The Rings. O desfasamento de universos que isto provoca dispensa menção.
Acredito que convença uma multidão de espectadores-pipoca e pessoas que não conheçam o livro ou os desenhos animados mas a mim não convenceu. É um filme de qualidade média, muito colorido e com boas animações. Qualquer semelhança com os dois livros de onde tira inspiração é pura coincidência.
Hellzapoppin' (1941)
Apesar de saber de antemão que era uma comédia, nunca pensei que Hellzappopin' fosse como é. Claramente à frente do seu tempo, presenteia-nos com gags humorísticos sem nexo e que muito inspiraram gerações futuras. A história é simples e nada por aí além, falando da transposição para o ecrã de um musical exibido meia dúzia de anos antes. São os tais gags que advém dessa aventura que fazem deste filme algo a ter em conta. Sublinho que é um filme à frente do seu tempo e outro bom exemplo disso são os efeitos "mágicos" que fazem pessoas voar ou desaparecer ao longo da história. Outra característica que me fez sorrir foram as várias interacções dos actores para com o espectador e entre personagens de universos diferentes (e não digo isto num sentido não-terrestre, imaginem antes o senhor que projecta o filme a interagir com o que está a acontecer na película).
Para além do humor "seco", o ponto alto do filme, e razão pela qual o comprei, é a brilhante cena de swing dos Whitey's Lindy Hoppers que me deixa sem ar de cada vez que a vejo. Podem conferir aqui e tirar as vossa próprias conclusões.
22 de março de 2010
The Usual Suspects (1995)
Saído da década onde foram realizados grande parte dos melhores filmes do últimos 20 anos, The Usual Suspects é um filme de suspense como os filmes de suspense devem ser. Uma história que nos embrenha durante a sua duração para no fim nos surpreender daquela forma que menos esperávamos. Vi-o pela primeira vez há muitos anos atrás e decidi recentemente voltar a vê-lo, reforçando assim a posição que ocupa como um dos meus filmes preferidos.
Verbal Klint conta-nos a história de cinco criminosos (ele incluído) que são manipulados, por uma figura medonha no mundo do crime, a fazer um golpe que serviria de paga por dívidas antigas. Seguimos Klint enquanto ele conta a sua versão do sucedido ao chefe da polícia e explica o desenrolar dos acontecimentos enquanto a investigação sobre o tal golpe é efectuada. Os ambientes são escuros, não existe acção por aí além (o filme tem mais de psicológico que de pipoca, diga-se) e a banda sonora assenta que nem uma luva com a trama. É um clássico e há-de ficar para a história como referência no género.
Fear Of A Black Hat (1994)
Lançado numa altura em que o hip hop ja tomava uma direcção que não a popularizada durante os finais dos anos 80 e ínicios de 90, este Fear of a Black Hat tenta fazer um apanhado às características mais óbvias e descadaras que advieram desse período do movimento. Filmado em forma de documentário a brincar (ou mockumentary, se preferirem), somos levados a seguir a carreira dos N.W.H. (Niggaz With Hats) desde as origens até ao fim da banda e inevitável reunião.
Creio que seja um registo interessante para aqueles que gostam de mais que a música pois muitas das piadas são (muito) bem tiradas e conseguem fazer um bom retrato do que era o hip hop naquela altura. Bons exemplos serão a entrevista no bairro, o uso exacerbado de violência física e falada, os títulos das músicas e discos, a influência das "namoradas" no grupo e o fim da banda com as subsequentes carreiras a solo e beefs entre membros da banda.
É muito notável a influência retirada à carreira dos N.W.A. e existem ao longo do filme várias referências óbvias a episódios que se passaram na vida real que não escaparão ao mais atento fã da banda. Não é perfeito, mas vale uma boa risada.
21 de março de 2010
Revenge Of The Nerds (1984)
Numa altura em que o conceito de nerd era um pouco diferente do que hoje está vulgarizado, esta comédia para adolescentes leva-nos como caloiros para a residência estudantil de um campus universitário americano. O resto dos caloiros são, claro está, nerds e rapidamente surgem problemas com os tão mal afamados jocks, que lhes fazem a vida negra. É uma história engraçada e que passa bem o tempo, as piadas nota-se que tiverem tempo perdido por parte de quem as criou. No geral, pode-se dizer que o filme fica a milhas de distância de qualquer comédia do mesmo género feita nos dias de hoje. Sinais dos tempos, porventura? É absolutamente genial a forma como os nerds dão a volta aos jocks para se imporem no campus. John Goodman é o único actor conhecido do lote mas nem por isso o filme perde qualidade.
Acho engraçado como o conceito de nerd mudou tanto nas últimas duas décadas. Hoje em dia ser nerd é cool porque significa que se está muito a par de tecnologias, algo impensável na altura, já que os computadores ainda iriam demorar até serem vulgarizados e os telemóveis muito menos. É a magia de ter crescido nos anos 80. Nota positiva, go nerds!
9 de janeiro de 2010
Beat Street (1984)

Rodado em 1984, Beat Street pretende trazer-nos a realidade da época numa altura em que nascia um novo movimento nas ruas de Nova Iorque. Infelizmente, a tentativa de cruzar um retrato desse movimento que englobava o hip-hop, o breakdance e o graffiti com uma (duas) histórias de amor e uma abordagem leve a problemas familiares entre pais e filhos acaba por não resultar, tornando-se chato e pastoso entre a meia dúzia de cenas realmente interessantes. Sendo elas as battles entre os Rocksteady Crew e os New York City Breakers, o scratching e as participações de Kool Herc, Afrika Bambaataa e Grandmaster Flash.
É perceptível a inspiração tirada do documentário Style Wars e sente-se que Beat Street foi uma clara tentativa de exploração e exposição do movimento a um público mais vasto e comercial. No geral, é um filme que cumpre o seu papel como arquivo de imagens da época mas que não consegue ir muito mais além que isso.
4 de janeiro de 2010
Style Wars (1982)

Revi há meia dúzia de dias este mui interessante documentário maioritariamente focado na origem do graffiti mas também abordando a sua relação com o hip-hop e o breakdance nos inícios dos anos 80. O que torna este registo especial é o facto de ser filmado na rua com os próprios artistas (ou bombers, como preferem ser chamados), dando assim uma perspectiva mais real do nascimento de todo o movimento e explorando várias abordagens à temática. Sendo eu próprio fã de culturas underground, não pude deixar de ficar espantado com a forma com que o assunto é abordado neste documentário. São no geral imagens muito bem conseguidas e testimoniais que fazem com que o visionamento do mesmo se torne uma rotina inspiradoramente agradável.
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